Espaço

​A Quinta dos Caniços apresenta um espaço para promoção e divulgação de Arte.
A Galeria divulga obras e projectos inovadores, desenvolvendo um programa de arte contemporânea em pintura, desenho e escultura e assumindo a ligação entre artistas emergentes e consagrados, curiosos, amantes de arte e coleccionadores – a Arte/Cultura sem fronteiras !
Um ambicioso projecto tendo por objectivo, também, a promoção de visitas culturais guiadas, assim como a organização de ateliers de formação de desenho, pintura e cerâmica escultórica, num claro incentivo à criação e divulgação artísticas.
Em 1730 já a Quinta dos Caniços havia sido erigida na margem da Ribeira do Goilão, afluente da Ribeira das Marianas, conforme atesta a data gravada no cruzeiro da porta do rio.

O alvará da Fábrica de Estamparia de Xitas data de 1780, tendo esta actividade vindo a ser desenvolvida até meados do séc. 19.

Manoel Francisco Caniço entra na história da quinta em 1860, data da sua aquisição e conversão parcial em habitação; paralelamente, no actual espaço da Galeria, funcionou uma oficina  artesanal de sapatos de trança, assim como a padaria.
 

O VINHO

A referencia mais antiga ao vinho de Tires é a do Livro de Posturas da Câmara Municipal de Cascais e suas regulamentações sobre as Vinhas e os Vinhos, de finais do século 16 - o Título 193º de 1592, dá conta da superior qualidade do Vinho aqui produzido, assim como o de Carcavelos, Sassoeiros e Rebelva,  autorizando a venda do vinho novo a 15 reis por almude, 5 vezes mais caro que o da zona de Cascais.

A proibição de cabras à solta, evitando danos nas vinhas, atesta a protecção à produção vinícola, estando prevista uma coima de 500 reis por cabeça.

Já no século 19, faziam parte do património da Quinta os vinhedos das Coveiras, Alto da Portela, Encosta do Zambujal e Brejos.

Em 1908, esta zona integrou a então criada Região Demarcada do Vinho de Carcavelos, embora não conste a produção de vinho generoso na Quinta dos Caniços.

 

OS SAPATOS DE TRANÇA

Em 1878, a parte sul do edifício principal foi arrendado a João da Mota Martins, para oficina de Fabrico de Sapatos de Trança, por 36 mil reis anuais.

O fabrico consistia em entrançar fita de algodão, com o apoio do chamado “engenho”, sendo a sola de corda ou de cabedal.

Esta actividade terminou na QC no final do século 19, mas continuou a ser executado pelas mulheres de Tires, em suas casas, enquanto os maridos trabalhavam nas pedreiras da zona, e era comercializado em Lisboa, onde eram muito populares, nomeadamente entre varinas.

 

AS CHITAS

O alvará da Fábrica de Estamparia de Tires, ou do Goulão, terá data anterior a 1780, sendo desta data o pedido de Henrique Vagner e José Nagel, erectores da fábrica, de certidão de registo das Condições de Privilégios concedidos à actividade, tendo esta vindo a ser desenvolvida até meados do século 19.

A relação publicada no “Preâmbulo” ao Inquérito Industrial de 1880, referia 17 fábricas de “panos e lenços estampados de chita”, em Alenquer, Albarraque, Azeitão, Lisboa, Porto, Rio de Mouro, Sete Rios, Setúbal, Tires e Torres Vedras, em 1788.

Já então, por toda a Europa, fabricavam-se chitas, panos de algodão estampados, originários do Gujarat, India, centro de produção algodoeira por excelência.

As chitas devem este seu nome a “chitra” do Sânscrito, que significava variado, e passou a inglês como “chintz” ; a Europa também as conhecia como “indiennes” ou como “indianos”, em Portugal.